DELIVER Europe 2026 destaca supply chain, logística, IA e operações omnicanal no eCommerce

O DELIVER Europe 2026 decorreu nos dias 3 e 4 de Junho, no TAETS Event Park, em Amesterdão, reunindo líderes do retalho, logística e supply chain em torno da inteligência artificial, ESG e novos modelos operacionais. A edição europeia terminou ontem, após dois dias de conferência, reuniões B2B e sessões temáticas dedicadas aos principais temas da supply chain e da logística no retalho, com uma agenda centrada na sustentabilidade, colaboração entre cadeias, omnicanalidade, fulfilment, devoluções, última milha e liderança operacional.

O formato manteve a combinação entre programa de conferência e reuniões 1-2-1 pré-agendadas, num modelo de participação por convite dirigido a responsáveis de marcas, retalhistas, operadores logísticos, plataformas tecnológicas e empresas de serviços.

O primeiro dia abriu com o focus group “DELIVER Sustainability Pulse 2026: Where the Industry Really Stands”, dedicado ao posicionamento do sector em matéria de sustentabilidade. A sessão contou com Taimoor Hussain, supply chain director da Unilever, Radharaman Jha, vice-president supply chain da Flaconi, Tatum Bross, ESG project manager da Spring GDS, John Acton, co-founder e CEO da Peer2Peer, e Henric van der Ent, director of supply chain da PwC Nederland.

Na manhã de 3 de Junho, Stéphane Tomczak, founder e chairman da DELIVER, fez a intervenção de abertura, intitulada “Mapping the Future of Commerce”. Seguiu-se a keynote de Joeri Kuik, vice-president supply chain da MediaMarktSaturn, sobre a transformação da Cadeia de Abastecimento da empresa a partir das necessidades do cliente. A apresentação abordou a construção de uma rede pan-europeia omnicanal, com centros automatizados de distribuição, fluxos directos a partir de fornecedores, hubs urbanos de fulfilment e uma camada digital para ligação em tempo real entre parceiros e consumidores.

A economia circular esteve em destaque na keynote de Kirsty Keoghan, general manager Fashion & Luxury EU da eBay, acompanhada por Kate Hardcastle, global consumer expert e business broadcaster. A sessão analisou a evolução da recommerce e a forma como plataformas digitais procuram responder à pressão sobre novos modelos de consumo e reutilização.

Ainda no primeiro dia, Stefan Hofer, chief operating officer da Emma – The Sleep Company, apresentou a evolução da empresa de um modelo digital directo ao consumidor para uma operação omnicanal global, com receitas superiores a mil milhões de euros. A intervenção focou a mudança de modelos de liderança e execução operacional exigida pelo crescimento, bem como o papel da inteligência artificial enquanto ferramenta de amplificação de modelos operacionais já existentes.

A inteligência artificial foi um dos temas transversais da conferência. A roundtable “Agentic AI vs Human Control: Defining the Future of Retail Operations”, presidida por Marcin Czyczerski, vice-chairman of the supervisory board do CCC Group, discutiu os limites da autonomia dos agentes de IA em áreas como planeamento, pricing, inventário e prioridade de entregas. Entre os tópicos em debate estiveram a implementação em escala, a confiança nos dados, a governação, os limites éticos e o equilíbrio entre supervisão humana e optimização autónoma.

A agenda do primeiro dia incluiu ainda sessões sobre logística de baixas emissões, crescimento transformacional no e-commerce e logística, experiência de última milha, big & bulky logistics, parcel claiming, social commerce, orquestração de encomendas, regras aduaneiras da União Europeia e inteligência agêntica na entrega de última milha. O programa terminou com os DELIVER Vendor Awards 2026.

No segundo dia, 4 de Junho, a agenda começou com a sessão “Women in Retail Breakfast: The Power of Presence”, com Lucy Pitcher, strategic PR & marketing specialist da supplychainwomen.com. A primeira keynote do dia coube a Erin Augustine, vice-president global sustainability da Oatly, numa apresentação sobre a estratégia da empresa no sector alimentar, com foco em sabor, sustentabilidade e criatividade.

Seguiram-se intervenções de Ken Tsay, global director of technology da On, sobre a integração entre supply chain, inteligência artificial e omnicanalidade; de Dane Percy, vice-president of research and development petcare da Mars, sobre o papel da supply chain na inovação; e de responsáveis de empresas como Stocklear, FIEGE, fulfillmenttools, BESTSELLER, nShift, MS Direct, AG1, 4flow, TradeKart, Uber Direct, Planiform, kernTerminal, Deliver-e, HubBox e Asendia.

A componente de talento e liderança foi abordada no painel “Building a Culture of Belonging: Retaining and Upskilling Talent in Retail and Supply Chain”, com Roland Lechner, antigo managing director international supply chain management da ALDI SÜD Group, Jens Meyer, global supply chain Europe HR vice-president da Schneider Electric, Nessa Mcdonald, head of transport international logistics da URBN, e Petra Smith, global PMO lead da Vestacy.

Durante a tarde, o programa incluiu sessões sobre media in-store, dados como base da execução, packaging, IA aplicada ao desenho e operação de redes logísticas, retorno empresarial da IA, parcel lockers, comércio transfronteiriço e automação em armazém. Entre os oradores estiveram Ariel Haroush, CEO e founder da Future Stores, Marcus Tengler, vice-president real estate & store concepts da MediaMarktSaturn, Jethro Borsje, chief product and technology officer da Lobster, Stein van Est, global head of e-commerce da Maersk, João Marques, supply chain director da MO Fashion, Raphaël Hervé, senior director da Manhattan, Nicholas McBride, head of EMEA sales da Zonos, e Łukasz Banachowicz, sales director EMEA da Unbox Robotics.

O programa de 2026 organizou-se em quatro eixos principais: “The Future of Artificial Intelligence is Now”, “Net-Zero and Beyond”, “Cross-Chain Collaboration” e “Supply Chain Leadership”. Estes temas enquadraram debates sobre implementação prática de IA, economia circular, emissões de âmbito 3, colaboração entre organizações, ecossistemas digitais, visibilidade em tempo real, talento e adaptação das equipas a operações mais dependentes de tecnologia.

A edição terminou com uma leitura operacional dos desafios que atravessam a logística e a supply chain no retalho europeu: maior complexidade omnicanal, pressão sobre custos e serviço, necessidade de dados fiáveis, novas exigências de sustentabilidade e utilização crescente de inteligência artificial em processos de decisão. Ao longo dos dois dias, a conferência relacionou estes temas com casos concretos de empresas internacionais, em sessões curtas, painéis e mesas-redondas. A Logística Moderna foi mais uma vez Media Partner.

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