A The Navigator Company esteve envolvida em 90 projetos apoiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que permitiram já reduzir em praticamente 300 mil toneladas as emissões de CO₂ dos seus complexos industriais. Os seis projetos de descarbonização, que abrangem Setúbal, Figueira da Foz, Aveiro e Vila Velha de Ródão, representam cerca de 193 milhões de euros, dos quais 76 milhões são cofinanciados pelo PRR. O balanço de quatro anos de trabalho foi apresentado no passado dia 21 de setembro durante a visita do Secretário de Estado da Economia, João Rui Ferreira, ao Complexo Industrial de Setúbal.
Entre os novos projetos destacados contam-se, a caldeira de recuperação em Setúbal, o forno de cal a biomassa da Figueira da Foz, a cogeração de Aveiro, a caldeira a biomassa em Vila Velha de Rodão, e as centrais fotovoltaicas em Aveiro, Figueira da Foz e Vila Velha de Rodão.
Com a participação no PRR, a Empresa conseguiu acelerar “investimentos estruturantes”, mobilizar conhecimento científico e tecnológico e aprofundar a colaboração com empresas, universidades e centros de investigação. Desta colaboração resultam iniciativas orientadas para transformar conhecimento em soluções industriais, reduzir o impacto ambiental das operações e desenvolver novos produtos renováveis, recicláveis e biodegradáveis, capazes de substituir alternativas de origem fóssil.
Na área da descarbonização, os seis projetos apoiados pelo PRR abrangem os complexos industriais da Navigator em Setúbal, Figueira da Foz, Aveiro e Vila Velha de Ródão. Em conjunto, representam cerca de 193 milhões de euros, dos quais 76 milhões são cofinanciados pelo PRR e uma redução das emissões de Âmbito 1 e 2 estimada em praticamente 300 mil toneladas de CO₂. Para ter dimensão, uma redução de 300 mil toneladas de CO₂ equivale às emissões anuais de cerca de 70 mil automóveis em circulação.
Estas concretizações inserem-se num esforço mais amplo da Navigator em matéria de descarbonização, que não se esgota nos projetos apoiados pelo PRR nem no horizonte temporal deste programa. Exemplo disso é o projeto LK2BM, em Setúbal, que converte o forno de cal para funcionar com biomassa em substituição do gás natural.
Em 2019, a Empresa aprovou o seu Roteiro de Descarbonização, no qual assumiu a ambição de reduzir 86% das emissões em 2035 face ao ano de referência de 2018. Em 2025, apenas sete anos após esse ano de referência, a Navigator já tinha atingido uma redução de 37%. Em 2027, com o contributo dos projetos realizados, essa redução será de 54%, correspondendo a cerca de 415 mil toneladas de CO₂. Desde 2018, o investimento nesta matéria ascende aos 352 milhões de euros.
Para o período entre 2027 e 2035, a Navigator tem já em análise novos projetos de utilização de biomassa e eletrificação, com uma redução adicional prevista de 251 mil toneladas de CO₂.
Além da dimensão ambiental, estes projetos assumem igualmente relevância para a competitividade da Empresa. Ao reduzir o consumo de combustíveis fósseis, aumentar a produção de energia renovável para autoconsumo e tornar os processos mais eficientes, a Navigator mitiga também a exposição à volatilidade energética e aos custos associados, reforçando a sua posição numa indústria exportadora que compete diariamente em mercados internacionais exigentes.
“O preço da eletricidade europeia continua largamente indexado ao gás, mesmo quando a maior parte da eletricidade já não é produzida a partir de gás. Não pedimos uma tarifa garantida. Pedimos coerência: contratos de longo prazo acessíveis, ligações à rede em prazos compatíveis com o investimento e um preço que acompanhe o mix de produção que já temos. Sem isso, a eletrificação da indústria será somente um ato de fé”, afirmou António Redondo, CEO da The Navigator Company.
From Fossil to Forest acelera desenvolvimento de novos bioprodutos
A inovação em produtos constitui outra das principais frentes da participação da Navigator no PRR, com destaque para a Agenda Mobilizadora From Fossil to Forest. A Agenda reuniu empresas, universidades e centros de conhecimento com um objetivo claro: desenvolver novas soluções de base celulósica e percorrer todo o caminho necessário para as aproximar do mercado, desde a investigação científica e a validação piloto até à experimentação e integração industrial.
A Agenda envolveu mais de 20 parceiros, um investimento global próximo dos 94 milhões de euros, seis grandes áreas de desenvolvimento e 11 Produtos, Processos e Serviços.
Ao abrigo desta Agenda Mobilizadora foram desenvolvidas, testadas e, em vários casos, validadas à escala industrial novas soluções de base celulósica, incluindo pastas e papéis para embalagem, papéis com propriedades barreira, biocompósitos, sensores em papel e celulose moldada.
No domínio da embalagem e, em particular, da celulose moldada, esta passagem à realidade industrial já aconteceu. No complexo da Navigator em Aveiro, entrou em operação a primeira linha industrial do mundo totalmente integrada com fibra virgem de Eucalyptus globulus, destinada à produção de soluções para take-away e tableware.
A partir desta matéria-prima biológica e nacional, a Navigator está a criar alternativas renováveis a produtos atualmente fabricados a partir de recursos fósseis, nomeadamente os plásticos de uso único.
Para além da descarbonização das operações e do desenvolvimento de novos bioprodutos, o envolvimento da Navigator no PRR também abrangeu projetos de digitalização e iniciativas associadas à modernização da atividade florestal. No seu conjunto, os 90 projetos contribuíram para acelerar investimentos, reforçar a colaboração entre empresas e o sistema científico e tecnológico e aproximar a investigação da aplicação industrial.
O legado deste ciclo de investimento traduz-se em instalações industriais mais eficientes e descarbonizadas, novos bioprodutos e tecnologias e um reforço das competências e redes de colaboração. São resultados que criam condições para que a transformação iniciada com o apoio do PRR continue para além do horizonte do próprio programa.






