Os erros entre encomendas pedidas e recebidas tornaram se a principal preocupação do retalho em Portugal, ultrapassando o cumprimento dos prazos de entrega e sinalizando uma nova fase de exigência na gestão das cadeias de valor. Esta é uma das principais conclusões da 14.ª edição do Benchmarking Supply Chain, da GS1 Portugal, que avaliou a eficiência, com base no desempenho de 2025, de oito grandes insígnias do retalho e trinta dos principais fornecedores a atuar em Portugal.
Desenvolvido pela primeira vez com uma componente prospetiva em parceria com o ISCTE Executive Education, o estudo mostra que as empresas estão a deslocar o foco da velocidade para a precisão, previsibilidade e colaboração, num contexto marcado por cadeias de abastecimento cada vez mais complexas e dependentes da partilha de informação.
“Os resultados mostram que a competitividade da supply chain já não depende apenas da entrega. Hoje, a capacidade de reduzir erros, partilhar informação e colaborar eficazmente entre parceiros tornou-se um fator crítico de desempenho para toda a cadeia de valor”, refere Paulo Gomes, Diretor-Geral da GS1 Portugal.
No ranking global de fornecedores, a Sociedade Industrial de Aperitivos (SIA) alcançou a primeira posição, seguida pela Gallo, Pescanova, SumolCompal e Matudis.
Do lado do retalho, o Pingo Doce liderou a classificação global atribuída pelos fornecedores, seguido da MC Sonae. O desempenho global dos retalhistas registou uma evolução positiva, com a nota máxima a subir de 6,89 para 7,29 valores e a média geral a aumentar de 5,71 para 5,99 valores.
A edição deste ano evidencia um aumento generalizado da exigência do retalho relativamente ao desempenho dos fornecedores. A eliminação dos erros entre encomendas recebidas e pedidas surge como a principal prioridade do setor, assumindo simultaneamente uma das avaliações mais baixas atribuídas aos fornecedores, o que revela uma oportunidade clara de melhoria operacional.
O estudo identifica ainda uma mudança significativa nas relações entre parceiros. A construção de relações sólidas entre equipas de logística, supply chain e customer service passou de 16.ª para a 2.ª posição entre as prioridades do retalho, demonstrando que a colaboração é hoje vista como um elemento tão relevante quanto os indicadores operacionais tradicionais.






