O mundo mudou e as instalações logísticas também têm de mudar

Segundo o departamento de pesquisa da Jones Lang LaSalle (JLL)nos Estados Unidos da América, 2021 pode ser o ano da mudança do design e práticas operacionais no desenvolvimento de instalações comerciais.
Acreditam que estas mudanças vão resultar em melhores condições de trabalho para os colaboradores da cadeia de abastecimento e na maior procura de espaço para centros de distribuição em zonas de grande densidade populacional para ser possível responder às exigências do comércio online e atingir as metas de sustentabilidade.
«Depois de um ano de estudo, inquéritos, entrevistas e análise estamos confiantes que nunca voltaremos ao que as pessoas consideravam normal no início de 2020. O mundo mudou e acelerou de uma maneira que vai alterar o nosso futuro e não há forma de voltar atrás,» afirmou Christian Beaudoin, director senior de pesquisa da JLL.
Uma das principais mudanças em 2021 será nos armazéns e centros de distribuição cujo desenvolvimento passará a ser feito tendo em conta o interesse dos colaboradores. Naturalmente que a localização é importante na logística, mas a amenidade e as tecnologias nos centros de distribuição vão ver a sua importância aumentar. Espera-se que em 2021 os promotores de infraestruturas logísticas prestem mais atenção à ergonomia e bem-estar da força de trabalho.
Num mercado de trabalho competitivo, estas amenidades dentro dos armazéns e centros logísticos podem ajudar a atrair trabalhadores, para além de contribuírem para um espaço mais seguro, saudável e agradável.
Para quem trabalhava em armazéns, apenas 8% tinham a sorte de trabalhar num edifício com ar condicionado. A JLL acredita que uma abordagem operacional centrada nas pessoas, combinada com a tecnologia vai aumentar a produtividade ao permitir que os trabalhadores se foquem mais na entrega das encomendas e resolução de problemas, ao mesmo tempo que os robots serão cada vez mais utilizados para realizar tarefas repetitivas e por vezes perigosas.
Os edifícios deveriam ter ar condicionado, sistemas de filtragem e hidratação do ar, luz natural como forma de melhorar a saúde e bem-estar das pessoas. Num segundo nível de amenidades estes poderiam incluir ginásios, espaços comunitários, salas para descansar privadas e espaços exteriores. A JLL acredita que os edifícios futuros para serem competitivos terão de oferecer serviço de transporte (shuttle) de ligação à rede de transportes públicos.

 

Localização e sustentabilidade

«Havendo dinheiro para investir no imobiliário industrial, a questão não é tanto o que construir, mas onde.» Acrescentam que “se o foco na conveniência dos clientes já superou as expectativas pode conseguir ainda melhores resultados em 2021.»
Os responsáveis pelo estudo entendem que «os mercados com maior densidade populacional é onde a JLL vê a necessidade de construção de infraestruturas para servir a última milha.» Zonas como Chicago, Los Angeles e São Francisco, são zonas que têm das taxas mais baixas de instalações vagas dos EUA e que necessitam de espaços de imediato para conseguirem responder à procura local.
Por sua vez «para além da procura imediata que foi causada pela Covid-19, prevê-se que o aumento do comércio online seja sustentado, pois muitos clientes passaram a apreciar a conveniência que este oferece,» segundo o estudo da JLL.
Em 2021, os proprietários de espaços industriais irão passar a tomar medidas activas para reduzir a pegada de carbono dos seus edifícios. A pressão para que tal seja feita virá de investidores, consumidores e reguladores. Tudo isto irá encorajar as empresas a focarem-se mais na avaliação do impacto ambiental dos seus negócios.
A JLL percebe que atingir estes objectivos não é barato. Mas prevêem mudanças tais como uma maior utilização de isolamento das coberturas, lâmpadas led, painéis solares do telhado, turbinas eólicas e outras fontes de energia alternativas.
Outra maneira se conseguir reduzir a pegada de carbono é através da optimização da cadeia de abastecimento. Isto passa pela adopção de veículos movidos com combustíveis alternativos e aproximar as operações. Outras medidas passam por adoptar embalagens mais amigas do ambiente, reutilizar água e reciclar materiais.
A JLL conclui que «em 2021 o tema da sustentabilidade vai não só mudar a concepção e especificidades dos edifícios industriais, mas também será uma força de mudança todas as operações industriais. Se o imobiliário industrial quer ajudar os seus locadores a melhorarem o seu desempenho ambiental até 2030, está na hora de começar a investir.»

O artigo foi publicado na edição nº178 da revista Logística Moderna (pode descarregar a versão digital em www.logisticamoderna.com)

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