O investimento imobiliário em Portugal atingiu 2,7 mil milhões de euros em 2025, um aumento de 11% face a 2024, colocando o mercado 13% acima da média dos últimos três anos e consolidando uma trajetória de recuperação sustentada, segundo a Savills Portugal.
Pedro Figueiras, Head of Capital Markets da Savills Portugal destaca: “O mercado imobiliário português entra em 2026 numa posição particularmente favorável, beneficiando da estabilização das taxas de juro, de uma inflação mais controlada e da retoma gradual do crescimento europeu. Este enquadramento macroeconómico cria condições para desbloquear decisões de investimento que estiveram em pausa e reforça o apetite por ativos core em localizações prime.
Depois de um 2025 marcado pela recuperação dos volumes e pelo regresso de transações de grande escala, 2026 apresenta-se como um ano especialmente promissor para todos os sectores do imobiliário comercial.”
O retalho representou 32% do volume total investido, com os centros comerciais a registarem um crescimento homólogo de 26%. Já os segmentos de escritórios e logística, apesar de quotas de mercado mais reduzidas, foram os que mais cresceram face a 2024, com aumentos de 92% e 114%, respetivamente. O segmento hoteleiro manteve um nível de investimento estável ao longo do período.
O capital nacional representou cerca de 35% do volume investido, reforçando o peso dos investidores no mercado português. No investimento cross border, investidores espanhóis lideraram com 23% do volume, seguidos por Canadá, França e Reino Unido, que em conjunto representaram cerca de metade do capital internacional aplicado em Portugal.
Cerca de 22% do volume total resultou de operações em portfolio, com transações de maior escala a marcar o ano. Lisboa e Porto concentraram 65% da atividade, a que se somam negócios em segmentos alternativos, como ginásios, escolas e data centres, que começam a ganhar maior visibilidade no mercado.
Entre as maiores transações do ano destacam se a venda de 50% do NorteShopping, a aquisição das residências de estudantes Livensa Living e a venda do hotel Cascais Miragem, negócios que reforçam a atratividade do mercado português em diferentes tipos de ativos.
As yields mantiveram-se, em geral, estáveis, com duas exceções: nos escritórios registou-se um aumento de 25 pontos base, fixando-se em 5,00%, enquanto no high street retail se verificou uma compressão para 4,25% (25 pontos base).
Para 2026, o cenário mantém-se favorável, apoiado no dinamismo registado em 2025 e numa trajetória de crescimento que se afirma de forma consistente em todos os segmentos do mercado. As projeções apontam para a continuidade dos níveis de atividade e para a manutenção da liquidez, num contexto em que Portugal se destaca pela estabilidade macroeconómica.






