Mercado imobiliário: Segmento industrial e logístico registou uma desaceleração no 1.º trimestre.

O mercado imobiliário comercial em Portugal registou um arranque de ano particularmente robusto, com o volume de investimento a atingir €930 milhões no 1º trimestre de 2026, segundo o relatório “Market Dynamics” da JLL, no qual a consultora analisa trimestralmente o desempenho do mercado imobiliário nacional. Este resultado representa um crescimento de 37% face ao período homólogo e posiciona o primeiro trimestre de 2026 entre os mais fortes dos últimos anos, confirmando a resiliência do mercado português num contexto internacional marcado por elevada incerteza geopolítica.

Carlos Cardoso, CEO da JLL Portugal, afirma que “o início de 2026 demonstra que Portugal tem um mercado forte, diversificado e com fundamentos sólidos, que tem revelado uma elevada capacidade de resiliência face a choques externos”. E acrescenta: “Face à incerteza internacional associada aos conflitos no Médio-Oriente, com repercussões nas condições macroeconómicas globais, nomeadamente ao nível de inflação e das taxas de juro, registou-se naturalmente uma maior atividade do capital nacional. Ainda assim, Portugal continua firmemente posicionado no radar do capital internacional, de forma clara e inequívoca”.

O investimento no 1º trimestre deste ano foi liderado pelos setores de retalho e hotelaria, que, em conjunto, concentraram mais de 70% do capital alocado ao imobiliário neste período.  O retalho captou €340 milhões, correspondentes a 37% da atividade, impulsionado pela transação de um portefólio de centros comerciais e retail parks por €280 milhões e que incluiu ativos como o GaiaShopping, o ArrábidaShopping e o Matosinhos Retail Park. Já a hotelaria registou €330 milhões de investimento (36% do total), beneficiando do desempenho consistente da procura turística e da valorização continuada dos ativos hoteleiros de gama alta. Neste segmento, destacam-se as operações do Ritz-Carlton Penha Longa e do InterContinental Porto-Palácio das Cardosas, unidade de cinco estrelas no centro do Porto cuja venda contou com assessoria da JLL.

Os ativos de uso específico (Special Purpose Facilities), com destaque para data centres, representaram 14% do volume total, sinalizando a crescente relevância deste segmento emergente no mercado nacional. Os escritórios absorveram €59 milhões, enquanto os restantes setores – industrial & logística, saúde e residencial – representaram cerca de 7% da atividade.

No segmento industrial e logístico, a procura registou uma desaceleração, com 65.100 m² ocupados no 1.º trimestre. Trata-se de uma quebra de 16% face ao trimestre homólogo. Este é o segmento onde se observa maior cautela por parte dos ocupantes, num contexto geopolítico desafiante, mas onde a menor atividade ocupacional continua também a ser travada pela falta de oferta adequada aos requisitos da procura. A escassez estrutural de produto logístico moderno continua, assim, a sustentar as rendas prime, que já atingem €7,00/m²/mês em localizações de excelência na Grande Lisboa, uma região que concentrou 37% da atividade no trimestre em análise. No atual quadro de incerteza geopolítica e dos possíveis impactos macroeconómicos daí advindos, tendências como o near shoring, a resiliência das cadeias de abastecimento e a aposta em estratégias de inventário mais robustas deverão continuar a suportar a procura por espaço logístico qualificado.

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