Setor imobiliário na logística: Vantagem geográfica com oferta escassa

A CBRE apresentou o Portugal Real Estate Outlook 2026, revelando que, após um ano de recuperação expressiva, o mercado imobiliário nacional entra numa fase de maturidade e consolidação, sustentado por fundamentos macroeconómicos estáveis e por um perfil risco-retorno que posiciona Portugal como um dos mercados mais defensivos da Europa.

O mercado de investimento comercial totalizou 2,7 mil milhões de euros em 2025, um crescimento de 17% em termos homólogos. Para 2026, a CBRE estima um volume de 2,4 mil milhões de euros, um valor que, embora ligeiramente inferior, reflete a normalização da atividade, num contexto de estabilidade das yields na maioria dos setores, contrastando com a volatilidade de outras economias.

A reconfiguração das cadeias de abastecimento e a instabilidade no Mar Vermelho reforçaram a importância estratégica da fachada atlântica, colocando Portugal como alternativa relevante nas rotas europeias. Contudo, o setor continua condicionado por uma escassez estrutural de oferta, segundo a análise. A taxa de disponibilidade é inferior a 1% no Grande Porto e ronda 3% na Grande Lisboa, enquanto o take-up previsto para 2026 deverá situar-se entre 380.000 e 400.000 m².

Nuno Torcato, Industrial & Logistics Leasing Director da CBRE Portugal, alerta que “Portugal está em contraciclo com a Europa: enquanto noutros mercados a vacancy aumenta, aqui a escassez continua a definir o mercado. A prova desta pressão é que mais de 85% dos projetos iniciados especulativamente nos últimos anos foram arrendados ainda antes de a construção terminar. Para 2026, a palavra de ordem continua a ser escassez de espaço no setor logístico”.

 

RETALHO: VENDAS REAIS SUPERAM INFLAÇÃO

Já o retalho vive um “momento de ouro”, impulsionado pelo turismo e pelo consumo interno. Em 2025, o índice de vendas cresceu 43% face a 2019. Mesmo descontando a inflação acumulada desde 2019 até 2025 (19%), o setor regista um crescimento real, demonstrando a resiliência do consumo. As rendas prime no comércio de rua continuam em ascensão, podendo atingir os 150-155€/m² na Rua Garrett (Chiado) em 2026, enquanto os Retail Parks se afirmam como o formato em maior expansão no país.

Carlos Récio, Head of Retail da CBRE Portugal, destaca que “os fundamentais do retalho nunca estiveram tão fortes. O crescimento das vendas acima da inflação prova que o consumo físico está de boa saúde e recomenda-se. Para 2026, vemos um dinamismo muito forte nos Retail Parks, com novos projetos CBRE Press Release de norte a sul, e uma pressão contínua no comércio de rua, onde a procura por lojas nas principais artérias de Lisboa e Porto continua a superar largamente a oferta disponível”.

Também o turismo mantém uma trajetória de crescimento qualificado, e os investimentos esperados para 2026 demonstram essa tendência. Uma parte significativa das apostas de investimento recairão novamente no segmento de luxo e upscale, com vista a atrair turistas de maior valor acrescentado, nomeadamente do mercado norte-americano. Paralelamente, os setores alternativos ganham peso.

Duarte Morais Santos, Hotels Director da CBRE Portugal, comenta que “para 2026, prevemos a manutenção do interesse investidor, focado agora na qualificação do destino. O pipeline de investimento que transitou de 2025 dá-nos confiança para um ano forte em transações hoteleiras”.

Manuel Valadas Albuquerque, Head of Agribusiness Southern Europe CBRE Iberia and Italy, conclui que “Portugal está a afirmar-se em nichos de alto valor. Seja no Agribusiness, com o Alqueva a atrair investimento institucional, ou nos Data Centers, onde a nossa conectividade e energias renováveis são trunfos decisivos, e antevemos que 2026 seja um ano de diversificação do portefólio imobiliário nacional.”

Num contexto internacional marcado por incerteza geopolítica e ajustamentos económicos, o imobiliário português evidencia capacidade para transformar volatilidade externa em oportunidade estratégica. A aposta na qualidade, na sustentabilidade e na diversificação setorial está a consolidar um mercado mais maduro, profundo e resiliente, que se afirma como plataforma de investimento de longo prazo.

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