Setor de transportes e armazenamento cresce mais de 60% em 10 anos

A mais recente análise da Randstad Research, que traça um raio-x ao mercado de trabalho no setor de transportes e armazenamento em Portugal, com base em dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), do Eurostat e do IEFP destaca o dinamismo e a rápida expansão desta área de atividade na última década.

Segundo os dados do INE, no segundo trimestre de 2026, o setor manteve a sua trajetória de expansão e empregou 246,5 mil profissionais, o que representa 4,6% do emprego total nacional.

A análise revela que as empresas do setor aumentaram a sua capacidade laboral em 60,9% entre 2014 e 2024, passando de 150,9 mil para 242,8 mil profissionais ao serviço. Este aumento teve especial destaque no subsetor de correios e entregas, que triplicou, e na armazenagem, que cresceu 30,5%.

Isabel Roseiro, Diretora de Marketing da Randstad Portugal, afirma que “Os dados revelam um setor extremamente dinâmico e crucial para a economia portuguesa, com salários acima da média nacional e uma forte capacidade de criação de emprego. No entanto, a elevada masculinização demonstra que existe uma enorme oportunidade para atrair talento feminino. Num cenário generalizado de escassez de profissionais, promover a paridade de género e diversificar as equipas operacionais e de gestão não é apenas uma questão de igualdade, mas uma necessidade estratégica fundamental para assegurar a competitividade e o futuro das empresas do setor”.

 

Boom do e-commerce triplica número de empresas

Os dados do INE indicam que o número de empresas no setor de transportes e armazenamento triplicou na última década, passando de 21,5 mil em 2014 para 64,5 mil em 2024. Este crescimento exponencial foi fortemente impulsionado pela expansão do transporte terrestre (que atingiu as 45,9 mil empresas) e pelo “boom” do comércio eletrónico e das entregas expresso, que somam já 14,6 mil empresas.

O “core” da atividade logística (composto pelas divisões de armazenagem, atividades auxiliares, correios e entregas) representa hoje 30% do emprego total do setor, correspondendo a 71,5 mil profissionais.

 

Salários superam a média nacional em mais de 30%

Para além do volume de emprego, o setor destaca-se pela competitividade salarial. A remuneração média mensal no setor atingiu os 2.156,79 € em 2024, um valor que se situa 33,8% acima da média nacional. Nas áreas específicas do “core logístico”, os valores são ainda mais atrativos: a armazenagem fixa-se nos 2.449,18 € (mais 52% que a média nacional) e os correios nos 2.095,08 € (mais 30%).

No que diz respeito à estrutura das profissões, a análise aos dados do Eurostat do primeiro trimestre de 2026 mostra que quase metade da força de trabalho (46,5%) é composta por operadores de máquinas, instalações e condutores, num total de 110,8 mil profissionais. O apoio administrativo concentra 19,5% dos trabalhadores (46,5 mil), enquanto os quadros técnicos e de gestão ganham cada vez mais peso, representando já 18,6% do setor (44,3 mil).

 

Disparidade de género contrasta com crescimento do setor

Apesar de todo o crescimento económico e da elevada criação de emprego, a análise da Randstad Research aos dados do INE revela que o setor continua a ser marcado por uma elevada masculinização. Os homens representam atualmente 79,4% do pessoal ao serviço, o que corresponde a 195,8 mil profissionais. Em contraste, as mulheres representam apenas 20,6% (50,7 mil), evidenciando uma disparidade que contrasta de forma notória com a paridade observada na média do mercado de trabalho em Portugal.

 

Desemprego estável, sazonal e concentrado no litoral

O mercado de trabalho nos transporte e armazenagem apresenta sinais de estabilidade no desemprego registado, que se mantém na ordem dos 2% do total nacional, de acordo com os dados do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP). No entanto, o estudo identifica uma forte componente sazonal associada às campanhas de consumo. Esta sazonalidade traduz-se em picos recorrentes no mês de janeiro, motivados pelo fim dos contratos temporários celebrados durante o final do ano.

Ao longo do ano, a tendência é de recuperação: em agosto de 2026, o número de inscritos desceu para 5,3 mil, o que reflete uma quebra de 12,6% face ao pico sazonal (6.149 inscritos) registado no início do ano.

Geograficamente, o desemprego neste setor está fortemente centralizado. A região de Lisboa e Vale do Tejo (2.174 pessoas) e a região Norte (1.805 pessoas) concentram, em conjunto, 74,1% dos casos. Esta elevada concentração reflete, naturalmente, a localização das principais plataformas logísticas e das grandes frotas do país. Por outro lado, quando se analisa o peso relativo do setor no mercado de trabalho de cada região, o desemprego na logística assume maior proporção no Algarve (2,9%), na Madeira (2,8%) e em Lisboa (2,5%), sendo este fenómeno impulsionado pelas necessidades específicas de abastecimento, pela logística turística e pelas dinâmicas do transporte insular.

 

Fonte: Randstad Research

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