Lisboa e Porto ancoram nova onda de expansão logística

A CBRE e a Logicor apresentam um estudo conjunto, desenvolvido em parceria com a Analytiqa, que mapeia o panorama atual e as perspetivas de crescimento do imobiliário de logística e cadeia de abastecimento em Portugal. O relatório Logistics Confidence Index 2026 mostra que a confiança dos operadores logísticos se mantém cautelosa; existe uma necessidade contínua de modernizar as cadeias de abastecimento face a uma escassez geral de oferta que está a gerar oportunidades de negócio.

Apesar da contínua incerteza macro e económica, esta nota de cautela não se traduz em contenção no terreno, uma vez que as intenções empresariais se mantêm firmemente orientadas para o crescimento 60% dos operadores logísticos preveem um aumento no volume de negócios; 56% planeiam aumentar o número de colaboradores e 70% esperam realizar investimentos de capital significativos nos próximos 12 meses – um valor substancialmente superior aos 42% registados entre retalhistas e fabricantes.

Os operadores logísticos estão a assumir uma postura claramente expansionista, respondendo à necessidade de instalações maiores e mais eficientes (80% planeiam expandir a sua área), enquanto as empresas de retalho e industriais adotam uma abordagem mais ponderada, priorizando a otimização de custos e a manutenção das suas instalações atuais.

Os operadores logísticos estão a assumir uma postura “expansionista”, respondendo à necessidade de instalações maiores e mais eficientes (80% planeiam expandir a sua área), enquanto as empresas de retalho e industriais adotam uma abordagem mais ponderada, priorizando a otimização de custos e a manutenção das suas instalações atuais.

Esta nova onda de procura continua concentrada nos principais centros urbanos do país, com as regiões de Lisboa e Porto a representarem em conjunto 82% dos planos de investimento para expansão e instalação de novas operações logísticas no próximo ano. Para captar este crescimento, os inquiridos apontam o desenvolvimento de infraestruturas adequadas (26%), o investimento contínuo em tecnologia de armazenamento (23%) e o crescimento sustentado do comércio eletrónico (22%) como os impulsionadores que moldarão a direção do mercado nacional.

Esta agenda de crescimento é sustentada por uma abordagem disciplinada à gestão de risco, dado que as empresas a operar em Portugal estão a priorizar um melhor planeamento de contingência (27%) e uma colaboração mais estreita com os principais fornecedores (22%) como as suas principais respostas às recentes perturbações, optando por reforçar a resiliência das cadeias de abastecimento existentes em vez de procurar a diversificação das fontes de aquisição – uma postura voltada para o futuro que posiciona o setor para uma estabilidade a longo prazo a par da expansão.

André Machado, Senior Director e Country Lead da Logicor Portugal, revela que, “apesar de um sentimento geral de incerteza, 80% dos operadores logísticos planeiam expandir o seu espaço de armazém nos próximos 12 meses, ao mesmo tempo que a obsolescência das instalações existentes é o principal desafio partilhado por todos os intervenientes. Estes resultados reforçam a urgência de desenvolver e modernizar a infraestrutura logística para dar resposta não só às necessidades de expansão – particularmente ao longo dos principais corredores de Lisboa e Porto – mas também às exigências tecnológicas e de eficiência dos setores retalhista e industrial.

Segundo Nuno Torcato, Head of Industrial & Logistics na CBRE Portugal, “o setor logístico português atravessa um período de transição e maturação. Os níveis de confiança podem flutuar consoante o contexto económico, mas os fundamentos do mercado logístico português mantêm-se sólidos. A procura mantém-se ativa, a disponibilidade permanece em mínimos históricos e a necessidade de infraestruturas modernas continua a gerar oportunidades de investimento e desenvolvimento em todo o país.”

De acordo com o relatório, esta resiliência estende-se de forma notória ao mercado imobiliário logístico português, que contraria atualmente a tendência face aos seus congéneres europeus. Enquanto as taxas de desocupação na Europa como um todo subiram para perto dos 5,8%, os valores no mercado português caíram drasticamente na última década e situam-se agora em níveis extremamente baixos: menos de 1% no Porto e abaixo dos 2% em Lisboa. Simultaneamente, o parque logístico cresceu substancialmente ao longo destes 10 anos, passando de 4,1 milhões para quase 6 milhões de metros quadrados – uma tendência acompanhada pelo crescimento orgânico das rendas médias de 3,50€ para cerca de 6,00€ em Lisboa e no Porto.

A CBRE e a Logicor sublinham em conjunto que o setor da logística e da cadeia de abastecimento em Portugal continua a ser um pilar resiliente e dinâmico da economia nacional. Com o desenvolvimento de infraestruturas, o investimento em tecnologia de armazenamento e o crescimento contínuo do comércio eletrónico identificados como os principais motores de crescimento para 2026, a modernização e renovação das instalações existentes, em conjunto com a entrega de “espaços altamente eficientes e tecnologicamente avançados, serão essenciais para concretizar os planos de expansão dos operadores e reforçar a posição de Portugal como um polo logístico competitivo a longo prazo”.

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