O mercado imobiliário em Portugal registou um volume de investimento de 630 milhões de euros no terceiro trimestre de 2026, o que corresponde a um crescimento de 33% face ao trimestre anterior. No acumulado do ano, o volume transacionado ascende a 2 mil milhões de euros, um aumento de 7% em relação ao período homólogo, segundo dados da Dils Recap, iniciativa de Business Intelligence da Dils, consultora imobiliária europeia.
A liquidez do mercado manteve-se sólida, apoiada por fontes de capital diversificadas. Por segmento, o retalho foi o setor mais ativo, com 31% do volume trimestral, cerca de 195 milhões de euros de investimento. O setor de escritórios apresentou também uma recuperação expressiva, atingindo 112 milhões de euros e o melhor resultado trimestral do ano. O segmento de Industrial e logística, registou 98 milhões de euros, enquanto a hotelaria registou um abrandamento, para 77 milhões de euros.
O setor de Industrial & Logística acumulou 384 milhões de euros de investimento nos primeiros nove meses do ano, um valor que já supera o total registado em 2025 e que deverá traduzir-se no segundo maior volume anual de investimento da última década. Assiste-se também a uma crescente representatividade das estratégias core e core plus, num mercado tradicionalmente dominado por abordagens value-add. No terceiro trimestre, a principal transação foi a aquisição do Logispark Montijo pela Saqax à CBRE IM. Entre outras operações de relevo, destacam-se a venda das instalações da Avilud, na Maia, e a aquisição de um data center em Évora, evidenciando o crescente interesse dos investidores por esta classe de ativos.
As yields prime fixam-se nos 5,75% tanto em Lisboa como no Porto, após uma compressão de 25 p.b. no Porto.
No mercado ocupacional, a absorção totalizou 107.061 m² no trimestre, elevando o acumulado do ano para 339.910 m², cerca de 4% abaixo do período homólogo de 2025. Por segmento, a procura industrial registou um crescimento de 60%, impulsionada pela atividade no Grande Porto e na Região Centro, enquanto a absorção logística recuou 16% em termos homólogos. A evolução da absorção logística reflete também um contexto operacional mais desafiante, marcado pelo aumento dos custos energéticos e de transporte, que tem condicionado as decisões de expansão e relocalização das empresas.
Na Grande Lisboa, a absorção logística recuou 51% face ao trimestre anterior, fixando o volume acumulado do ano em cerca de 155.000 m², 18% abaixo do registado no período homólogo de 2025. A Zona 5 (Palmela/Setúbal) foi a mais dinâmica, tendo acolhido a maior operação do trimestre, o arrendamento de 13.500 m² à Brose.
Do lado da oferta, foram concluídos cerca de 187.000 m² de novos espaços logísticos durante o terceiro trimestre, incluindo o projeto build-to-suit desenvolvido para a Worten no PLLN e o Malveira Prime Logistics. Até ao final do ano, prevê-se a conclusão de mais 50.000 m², embora a maioria desta área já se encontre comprometida. A renda prime Big Box manteve-se estável nos 5,50 €/m²/mês.
No Grande Porto, a absorção logística ascendeu a cerca de 31.800 m² no trimestre, mais 17% face ao trimestre anterior, elevando o acumulado do ano para aproximadamente 65.000 m², cerca de 40% abaixo do período homólogo de 2025. A preferência por ativos modernos continua evidente, com 75% da absorção trimestral concentrada em edifícios logísticos novos. O eixo Santo Tirso–Trofa destacou-se como a localização mais procurada, concentrando as maiores operações do período. A renda prime Big Box manteve-se nos 6,00 €/m²/mês.
Retalho lidera investimento imobiliário no 3º trimestre do ano
O retalho liderou o investimento no trimestre, com 195 milhões de euros, impulsionado pela venda do Forum Algarve, que marca a estreia em Portugal da Alfana Investment Management e integra o centro na plataforma Rivoli Retail. No acumulado do ano, o setor soma cerca de 611 milhões de euros, apenas 8% abaixo de 2025, continuando a ser o mais ativo.
A atividade foi liderada por investidores internacionais, institucionais e privados, com foco em estratégias core e core plus. As yields prime do retalho de rua desceram 25 pontos base, para 4,25%, após transações relevantes no Chiado, e a dos centros comerciais manteve-se em 6,25%.
Os retail parks mantêm-se como o formato mais dinâmico em termos de nova oferta, com sete projetos em desenvolvimento, que representam mais de 77.000 m², depois da abertura do Beja Jardim Retail Park, com 18.000 m², durante o terceiro trimestre. Dois dos sete projetos em desenvolvimento têm entrega prevista para o final do ano: o Azores Retail Park, com 15.000 m² em Ponta Delgada, e a primeira fase do Alentejo Retail Center, com 9.000 m².
As rendas prime de retalho de rua mantiveram-se estáveis com 155 €/m²/mês no Chiado (Lisboa) e 85 €/m²/mês na Rua de Santa Catarina (Porto). Entre as principais aberturas, destacam-se as novas lojas da Tous, na Rua Augusta, e da Scalpers, na Rua de Santa Catarina.
Já o investimento hoteleiro totalizou 590 milhões de euros desde o início do ano, representando cerca de 27% do investimento imobiliário comercial e superando já os volumes anuais registados em 2024 e 2025. No terceiro trimestre, o investimento ascendeu a 78 milhões de euros, impulsionado pela aquisição do Tróia Design Hotel pela Arrow Global. As yields prime mantiveram-se estáveis nos 5,75%.
O capital internacional continua a assumir um papel predominante no setor, privilegiando sobretudo estratégias de value-add e ativos com potencial de reposicionamento e valorização.
Desde o início do ano, foram adicionados 3.253 novos quartos à oferta hoteleira nacional, estando prevista a entrada de mais 1.600 quartos até ao final de 2026, na sequência da conclusão de novos projetos hoteleiros.






