aicep Global Parques celebra reserva com a ACM para refinaria de antimónio na ZILS

A aicep Global Parques assinou a 15 de junho um contrato de reserva com a ACM – Alchemy & Critical Metals, empresa especializada no desenvolvimento de soluções industriais no domínio dos metais críticos e materiais estratégicos, com enfoque em processos metalúrgicos avançados e refinação de matérias-primas essenciais para cadeias de valor industriais de “elevada complexidade”.

A ACM dedica-se ao desenvolvimento de capacidade industrial de refinação de metais críticos, tendo como projeto inaugural a instalação de uma refinaria de antimónio na ZILS – Zona Industrial e Logística de Sines. A iniciativa visa reforçar a integração de Sines nas cadeias internacionais de abastecimento de matérias-primas críticas, contribuindo para a segurança e resiliência das cadeias de valor europeias.

O projeto prevê a criação de cerca de 150 postos de trabalho diretos altamente qualificados e aproximadamente 300 postos de trabalho indiretos, associados à cadeia de valor, logística, serviços e fornecedores, com impacto relevante na dinamização económica da região.

Para a concretização do projeto foi reservada uma parcela de terreno na Zona 1 da ZILS, com uma área total de 131.000 m², destinada à instalação da unidade industrial. O direito de superfície a constituir terá uma duração de 30 anos, renovável, assegurando as condições necessárias para o desenvolvimento e consolidação do investimento.

A refinaria está dimensionada para uma capacidade anual de 10.000 toneladas de antimónio metálico, das quais 7.500 toneladas correspondem a produção primária e 2.500 toneladas resultam de processos de reciclagem. Esta componente de valorização de materiais secundários reforça a segurança de abastecimento e enquadra o projeto nos princípios da economia circular promovidos pela União Europeia.

O projeto contempla uma área de implantação de aproximadamente cinco hectares, incluindo edifícios industriais, áreas técnicas e logísticas, zonas de estacionamento e espaços verdes. O volume de construção estimado ascende a cerca de 80.000 m³, com edifícios até 15 metros de altura e infraestruturas técnicas especializadas, como chaminés industriais e torre de arrefecimento.

Desde a fase de conceção, a unidade foi desenvolvida de acordo com as Melhores Técnicas Disponíveis (BAT), integrando elevados padrões de desempenho ambiental e segurança operacional. Estão previstos sistemas de contenção e bacias de retenção para prevenção de derrames, bem como soluções avançadas de tratamento de gases, incluindo filtros de mangas e lavadores de gases (scrubbers), destinados à redução significativa das emissões atmosféricas.

O processo industrial prevê ainda a valorização do dióxido de enxofre (SO₂) através da sua conversão em sulfato ou ácido sulfúrico, evitando emissões livres de enxofre para a atmosfera. Serão igualmente implementados sistemas de captura, estabilização e tratamento de impurezas perigosas, nomeadamente arsénio, assegurando a sua gestão por operadores licenciados ou a sua inertização em matrizes seguras.

As emissões atmosféricas serão monitorizadas continuamente, garantindo níveis significativamente inferiores aos limites legais aplicáveis. A unidade disporá ainda de uma ETARI própria para tratamento de águas residuais industriais, através de processos de precipitação de metais pesados, neutralização e clarificação, antes da respetiva descarga em conformidade com as licenças ambientais.

Paralelamente, a ACM prevê a implementação de sistemas de gestão certificados segundo as normas ISO 14001 e ISO 45001, reforçando uma cultura de melhoria contínua, prevenção de riscos e conformidade regulamentar. A entrada em operação da refinaria está prevista para 2030. O antimónio integra a lista de matérias-primas críticas da União Europeia ao abrigo do Regulamento (UE) 2024/1252 – Critical Raw Materials Act, que estabelece medidas destinadas a assegurar o aprovisionamento seguro e sustentável destes recursos estratégicos. Trata-se de um metal essencial para setores como a energia, a indústria tecnológica, os semicondutores, a mobilidade e a defesa, cuja produção e refinação se encontram atualmente fortemente concentradas em poucos mercados.

As restrições à exportação introduzidas nos últimos anos evidenciaram a vulnerabilidade das cadeias de abastecimento europeias, provocando fortes tensões no mercado internacional e um aumento expressivo dos preços. Neste contexto, a criação de capacidade própria de refinação na Europa assume particular relevância estratégica, contribuindo para a diversificação das fontes de abastecimento, o reforço da autonomia estratégica da União Europeia e a redução da dependência de fornecedores externos.

Para Portugal, o projeto representa uma oportunidade de afirmação enquanto localização de referência para a transformação de matérias primas críticas, contribuindo para os objetivos europeus de processamento interno destes materiais até 2030. Beneficiando das condições logísticas e energéticas da ZILS, em Sines, e da proximidade e acesso direto ao Porto de Sines, bem como de ligações ferroviárias e rodoviárias estruturantes e infraestruturas energéticas de grande capacidade, a unidade reúne fatores determinantes para a sua competitividade e eficiência operacional, podendo posicionar Portugal como um dos principais intervenientes na cadeia de valor europeia do antimónio.

Este contrato de reserva reforça o posicionamento da ZILS como plataforma de referência para a instalação de projetos industriais estratégicos, contribuindo para a atração de investimento qualificado e para o desenvolvimento sustentável do território.

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