Brent chegou a negociar acima de 119 dólares com receios de perturbações na oferta global, mas comentários de Donald Trump e sinais de possível intervenção do G7 aliviaram a pressão sobre os preços.
Os preços do petróleo registaram forte volatilidade na segunda-feira, com as cotações do Brent a oscilarem depois de os mercados reavaliarem o risco de perturbações na oferta global na sequência da escalada do conflito entre os Estados Unidos e o Irão.
A referência europeia chegou a negociar nos 119,50 dólares no dia 9 de março, refletindo receios crescentes de que o conflito pudesse afetar um dos principais estrangulamentos do comércio mundial de petróleo.
A subida evidenciou a rapidez com que choques geopolíticos se traduzem em pressão sobre os preços num mercado físico já relativamente apertado.
Ao longo da sessão, contudo, as cotações inverteram parte dos ganhos à medida que os mercados reavaliaram a probabilidade de uma perturbação prolongada da oferta e a possibilidade de uma resposta política destinada a estabilizar os mercados do petróleo.
O Brent chegou a cair abaixo dos 90 dólares por barril depois de declarações de Donald Trump sugerirem que o confronto militar poderá terminar mais cedo do que inicialmente antecipado, aliviando receios de uma escalada capaz de afetar de forma prolongada os fluxos petrolíferos na região.
O sentimento dos mercados foi também apoiado por uma declaração do Grupo dos Sete (G7), divulgada após uma reunião virtual organizada pela França. Os ministros das Finanças afirmaram estar preparados para adotar “as medidas necessárias” para apoiar o abastecimento global de energia caso o conflito continue a perturbar os fluxos de petróleo.
Entre essas medidas poderá estar a libertação coordenada de crude das reservas estratégicas — um dos principais instrumentos ao dispor dos governos para responder a choques de oferta e conter a volatilidade das cotações.
A perspetiva de uma ação concertada por parte das maiores economias contribuiu para um recuo das cotações face aos máximos registados durante a noite. Ainda assim, analistas alertam que qualquer atraso ou hesitação do G7 em avançar com a libertação de reservas poderá reacender rapidamente a pressão altista sobre os preços do petróleo.
Segundo o Goldman Sachs, o tráfego de navios-petroleiros através do estreito de Hormuz terá caído cerca de 90%, retirando temporariamente do mercado cerca de 18% da oferta global de petróleo.
O sentimento de risco melhorou também nos restantes mercados financeiros. As bolsas norte-americanas recuperaram das perdas registadas no início da sessão, com o S&P 500 e o Nasdaq Composite a avançarem mais de 1%, numa altura em que os mercados passaram a atribuir menor probabilidade a uma nova escalada do conflito.
Apesar do recuo registado na segunda-feira, os analistas sublinham que os mercados do petróleo continuam altamente sensíveis aos desenvolvimentos no Médio Oriente. Qualquer perturbação prolongada das rotas marítimas na região poderá apertar rapidamente a oferta global e provocar nova volatilidade nas cotações.
O estreito em causa é uma das principais rotas de transporte de crude a nível mundial, responsável por uma parcela significativa do comércio marítimo de petróleo.






