Mercado industrial e logístico soma 229.973 m² de ocupação no primeiro semestre

Portugal registou 229.973 m² de ocupação I&L no primeiro semestre de 2026, mais 2% do que no período homólogo de 2025 num contexto de mínimos históricos de taxa de disponibilidade nacional. Os dados constam do mais recente Spotlight Industrial & Logistics Market da Savills.

O segundo trimestre concentrou 160.866 m², mais do dobro dos 69.107 m² fechados nos primeiros três meses do ano, com a região da Grande Lisboa a responder por 76% do total nacional. O Grande Porto ficou-se pelos 55.190 m². A logística foi o motor da procura, ao concentrar 73% da procura total.

A dinâmica do mercado industrial e logístico continua condicionada pela reduzida disponibilidade de ativos de qualidade para arrendamento, num contexto em que a procura permanece sólida e superior à oferta existente.

Alexandra Gomes, Head of Research da Savills Portugal, considera: “A procura continua claramente acima da oferta disponível, tornando a disponibilidade de produto de qualidade o principal fator condicionante da ocupação. Com mais de metade do pipeline da Grande Lisboa já comprometido antes da conclusão, antecipamos uma pressão crescente sobre as rendas prime e um reforço das soluções build-to-suit e de pré-arrendamento, à medida que as opções para os ocupantes se tornam cada vez mais escassas.”

A Grande Lisboa registou 174.783 m² de área transacionada no primeiro semestre, o melhor desempenho desde 2024 em valor absoluto, com um mínimo histórico de espaço disponível. O segundo trimestre foi particularmente dinâmico, concentrou 74% do volume total.

A logística reforçou o seu protagonismo na atividade da região: cresceu mais de 14% em termos homólogos e passou a representar 75% de toda a área ocupada.

Segundo a Savills, o mercado logístico da Grande Lisboa integra um stock de cerca de 3,5 milhões de m² e apresenta uma taxa de disponibilidade de apenas 1,8%, o que reflete a forte pressão da procura sobre a oferta existente.

Ainda segundo a Savills, as rendas prime variam entre os 4,50€ /m²/mês no eixo Palmela-Setúbal e os 7,25€ no Corredor Oeste. Castanheira-Azambuja, considerado o eixo prime logístico da região, concentra 33% do stock total e constitui a referência para grandes plataformas logísticas, com uma renda prime de 5,50 €/m²/mês. Esta zona, a mais pressionada da região, regista disponibilidade nula e concentra cerca de 36% da procura ativa identificada.

O pipeline atualmente em desenvolvimento na Grande Lisboa para 2026 totaliza cerca de 400.000 m², dos quais mais de um terço já se encontra pré-arrendado ou com ocupação contratada.

 

Grande Porto: descida de 2% não significa menos procura

O Grande Porto registou um volume de ocupação de 55.190 m² no primeiro semestre, apenas 2% inferior ao observado no período homólogo de 2025. Estes dados sugerem que esta ligeira redução não reflete um abrandamento da procura, mas antes as limitações impostas pela escassez de oferta disponível.

A taxa de disponibilidade situou-se nos 0,5% de um parque logístico e industrial superior a 1,3 milhões de m².

A atividade do semestre esteve concentrada num número reduzido de transações de grande dimensão. Valongo destacou-se como o principal foco de procura, com 36.885 m² contratados, equivalentes a 67% do total regional, resultado de duas operações de 12.500 m² cada no Panattoni Park Valongo.

A renda prime fixa-se nos 5,75 €/m²/mês. Num mercado marcado pela inexistência de espaços de qualidade disponíveis para ocupação imediata, as atenções centram-se agora no pipeline previsto até 2027, que totaliza cerca de 69.000 m², dos quais 42% já se encontram pré-arrendados.

Pedro Figueiras, Director, Head of Lisbon da Savills Portugal, conclui: “Portugal reúne hoje condições únicas para se afirmar como um dos principais mercados logísticos do sul da Europa. A combinação de taxas de disponibilidade historicamente baixas, a internacionalização crescente da economia, o reforço das exportações e uma posição geoestratégica privilegiada nas cadeias globais de abastecimento continua a atrair operadores nacionais e internacionais. Neste contexto, o desenvolvimento de nova oferta logística representa não apenas uma oportunidade imobiliária, mas uma necessidade para acompanhar a expansão da procura e aumentar a competitividade do país enquanto plataforma de distribuição e investimento.”

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