Durante muitos anos, o verão foi encarado como um período de menor atividade para grande parte da economia. Contudo, a Eurofirms – People first, multinacional de gestão de talento, tem vindo a identificar uma mudança estrutural no mercado de trabalho: à medida que os consumidores exigem maior rapidez, disponibilidade permanente de produtos e serviços e tempos de resposta cada vez mais reduzidos, cresce o número de setores que mantêm elevados níveis de atividade durante os meses de verão.
A Eurofirms registou um aumento de cerca de 40% na procura por talento tendo em conta o período de verão, face ao mesmo período do ano passado. Dentro dos setores com esta maior procura, como distribuição, retalho, saúde, transportes, apoio ao cliente ou e-commerce, os que mais evidenciam esta tendência são a indústria alimentar (mais 45%), seguindo-se a logística (com cerca de 30%), e as campanhas agrícolas, que apresentam um crescimento próximo dos 10%.
“Nos últimos anos temos assistido a uma redução clara da sazonalidade tradicional. As empresas operam hoje em cadeias de abastecimento muito mais contínuas e os consumidores esperam disponibilidade permanente de produtos e serviços. Também na Eurofirms verificamos um aumento dos pedidos dos clientes durante o verão, particularmente no trabalho temporário, para responder ao reforço operacional e à substituição de colaboradores no período de férias”, afirma João Francisco, InCompany Leader da Eurofirms Portugal.
A Eurofirms confirma ainda que a indústria alimentar se destaca não só por registar o maior crescimento da procura, como também por integrar um dos setores com maior volume de contratações durante esta época do ano. No entanto, a hotelaria continua a liderar a contratação estival, seguida do retalho, com especial relevância para o comércio alimentar. Em Portugal, o crescimento da procura revela-se particularmente expressivo nas regiões de Lisboa e Porto, sendo esta última a que apresenta o maior aumento relativo.
Jovens entre os 21 e os 30 anos lideram contratação de verão
A contratação durante os meses de verão para estes setores concentra-se sobretudo em profissionais entre os 21 e os 30 anos, seguindo-se a faixa etária dos 31 aos 35 anos. Já a distribuição entre homens e mulheres mantém-se equilibrada e o talento nacional continua a representar a maioria das contratações, coexistindo com uma presença relevante de profissionais internacionais, particularmente de nacionalidade brasileira.
Consumidores mais exigentes, novas necessidades de recrutamento
O crescimento do comércio eletrónico, dos serviços de entrega, da mobilidade e das expectativas de resposta imediata tem vindo a alterar as necessidades de recrutamento das empresas. Para responder aos picos de procura, cresce a necessidade de profissionais para funções ligadas à logística, armazém, distribuição, produção, atendimento ao cliente e apoio às operações.
Entre as funções que mais têm ganho relevância nos últimos anos, a Eurofirms destaca os operadores logísticos, preparadores de encomendas, motoristas de distribuição, operadores de produção, técnicos de manutenção, profissionais de apoio ao cliente e perfis ligados à coordenação operacional.
Escassez de talento continua a desafiar as empresas
Apesar da procura crescente, João Francisco admite que “nem sempre é fácil encontrar os profissionais necessários”. Para além da escassez de talento disponível, muitas empresas enfrentam desafios relacionados com a elevada rotatividade em algumas funções operacionais, a necessidade de assegurar substituições durante o período de férias e a retenção de profissionais qualificados, num contexto em que as expectativas dos trabalhadores continuam a evoluir.
Neste âmbito, as maiores dificuldades concentram-se nas funções operacionais que exigem trabalho por turnos, horários alargados ou disponibilidade ao fim de semana, bem como em perfis técnicos especializados nas áreas da logística, manutenção industrial e saúde.
Benefícios e flexibilidade ganham peso na atração de talento
Além das competências técnicas, as empresas valorizam cada vez mais características como flexibilidade horária, capacidade de adaptação, autonomia, rapidez de aprendizagem, sentido de responsabilidade e disponibilidade para trabalhar por turnos ou em horários diferenciados.
Para responder a este desafio, muitas organizações têm vindo a reforçar a sua proposta de valor enquanto empregadoras, apostando em benefícios complementares, maior previsibilidade dos horários, incentivos associados ao trabalho por turnos, programas de bem-estar e oportunidades de desenvolvimento profissional. Também os prémios associados à produtividade e à assiduidade têm ganho expressão como forma de atrair e reter talento.
Planeamento torna-se fator estratégico
Perante operações cada vez mais contínuas, o recrutamento deixou de responder apenas a necessidades pontuais e passou a assumir um papel estratégico na continuidade dos negócios.
“Uma quebra da capacidade operacional durante o verão pode traduzir-se em atrasos, menor qualidade do serviço, aumento da pressão sobre as equipas e perda de competitividade. Por isso, o planeamento atempado e soluções como o trabalho temporário ou o outsourcing assumem hoje um papel essencial para garantir a continuidade das operações”, conclui João Francisco.
À medida que a economia se torna cada vez mais digital, global e orientada para a disponibilidade permanente de produtos e serviços, a Eurofirms antecipa que as operações “always-on” vão continuar a ganhar relevância. Este fenómeno será impulsionado pela utilização crescente da Inteligência Artificial, pela digitalização das operações e por modelos de trabalho mais flexíveis, capazes de responder às necessidades das empresas sem comprometer o bem-estar dos colaboradores.






