Automação na intralogística com crescimento acentuado na Europa

A logística é um pilar essencial para a economia de qualquer país, desempenhando um papel crucial na economia portuguesa. A eficiência neste setor é primordial para o crescimento económico, uma vez que assegura o transporte eficaz de mercadorias e serviços desde a sua origem até ao consumidor final.
Em Portugal, tem-se observado um enfoque considerável na logística, com investimentos substanciais em infraestruturas de transporte e em tecnologias de informação. Estas iniciativas visam aprimorar a eficiência e eficácia das operações logísticas. No entanto, a presença marcante de grandes operadores internacionais no mercado português suscita interrogações sobre a capacidade do país em manter a autonomia sobre este setor crítico.
Os operadores estrangeiros de grande envergadura trazem consigo recursos abundantes e uma vasta experiência, potencialmente benéficos para o setor logístico em Portugal. Contudo, existe a preocupação de que essas empresas possam vir a dominar o mercado, restringindo assim a capacidade das empresas locais de competirem em igualdade de condições.
Portugal, assim como qualquer país, necessita assegurar a autonomia do seu setor logístico, evitando a dependência excessiva de operadores internacionais. Isso implica a implementação de políticas e regulamentações equitativas, permitindo a todas as empresas operacionais no setor logístico competirem justamente. Adicionalmente, é fundamental que o país mantenha o investimento em educação e formação profissional, visando o desenvolvimento de talentos locais e a promoção de inovação no setor.
Resumindo, a presença de grandes operadores estrangeiros no setor logístico de Portugal traz tanto desafios quanto oportunidades. Com estratégias e políticas adequadas, Portugal tem a capacidade de assegurar que o seu setor logístico continue a ser um propulsor do crescimento económico, sem se tornar dependente de entidades estrangeiras. Para isso, é vital uma otimização contínua das operações, especialmente na intralogística, pois melhorias nessa área refletem-se em eficiência operacional significativa, beneficiando tanto grandes empresas como pequenas e médias empresas (PMEs) nas suas atividades logísticas.
É crucial compreender a trajetória atual do setor logístico na Europa. Esta análise, metaforicamente falando, envolve observar a “floresta” no seu conjunto para melhor proteger e cultivar cada “árvore” individual.
O mercado europeu de automação intralogística está projetado para experimentar um crescimento expressivo, com uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) estimada em 11,6% de 2023 a 2028. Esse crescimento substancial é motivado pela procura crescente da eficiência e produtividade em diversas indústrias. Além disso, a transição para a digitalização das cadeias de abastecimento, estimulada pela revolução da Indústria 4.0, também desempenha um papel crucial neste desenvolvimento.

 


A Europa tem-se destacado como um dos líderes na adoção de automação industrial, impulsionada por investimentos significativos na revolução da Indústria 4.0. De facto, o “velho” continente representa mais de um terço do investimento global em Indústria 4.0, com a Alemanha a ocupar uma posição de vanguarda.
É crucial destacar o papel da Intralogística, que engloba a coordenação de todos os processos internos de uma organização relacionados à manipulação de produtos. Este setor abrange atividades essenciais como receção, armazenamento e transferência de mercadorias, impactando profundamente todas as indústrias. Independentemente do tipo de produto manipulado, a implementação de um sistema de armazenamento eficiente pode resultar em melhorias significativas: otimização do espaço em até 85%, aumento da capacidade de estoque em 60% e redução no consumo de energia de até 60%.
A procura por soluções de intralogística está em ascensão em toda a Europa, impulsionada pela expectativa de um crescimento acentuado na automação à medida que as indústrias de manufatura integram tecnologias avançadas como a Internet Industrial das Coisas (IIOT) e redes 5G. Estas inovações estão a aperfeiçoar a produtividade e a otimizar o uso eficiente de tecnologia, mão de obra e equipamentos.
As empresas estão a investir substancialmente em soluções de software orientadas para a gestão de armazéns estabelecendo cadeias de abastecimento inteligentes. Estas soluções garantem entregas pontuais e proporcionam às empresas uma vantagem competitiva significativa. Esta tendência tem incentivado as empresas do sector a desenvolver estratégias para sincronizar a procura de curto prazo e planear adaptações às mudanças nos canais de distribuição.
Acresce ainda que várias indústrias estão a reajustar as suas prioridades para se adaptarem à era digital acelerada e contribuírem de forma mais significativa no atual cenário global. A globalização contínua é essencial para as empresas em busca de crescimento, com o comércio mundial e o desenvolvimento económico sendo impulsionados pelo aumento das exportações e importações, facilitados pela eficiência da intralogística.
O setor de e-commerce, em franca expansão, apresenta um potencial significativo para impulsionar o desenvolvimento de soluções de intralogística. As tendências marcantes no e-commerce que estão a influenciar a indústria intralogística incluem a meta de erros “zero”, picos de procura sazonais, prazos de entrega reduzidos, fluxos de mercadorias bidirecionais, horários de entrega flexíveis e uma maior diversidade no tamanho e peso das encomendas.
Neste contexto, torna-se essencial reconhecer que a intralogística se está a reinventar para se adaptar de forma ágil e precisa aos desafios crescentes, complexos e exigentes de um setor cada vez mais dependente dela própria. A popularidade dos robôs está a aumentar em toda a Europa, em particular os braços robóticos e os Robôs Móveis Autónomos (AMRs). Estes estão a destacar-se na otimização das operações pela fácil integração em sistemas logísticos já existentes, ou mesmo como soluções autónomas, posicionando-se como aliados fundamentais da intralogística.

 


O mercado europeu de automação intralogística distingue-se pela sua diversidade e alta competitividade. As empresas neste setor estão a adotar estratégias como o lançamento de novos produtos, investimentos significativos em pesquisa e desenvolvimento, e a formação de parcerias estratégicas e aquisições, visando manter e reforçar a sua competitividade. As empresas líderes em intralogística estão focadas na implementação de tecnologias sustentáveis e sistemas de otimização para atender às necessidades de uma ampla gama de clientes finais. Os principais fabricantes concentram os seus esforços no desenvolvimento e aprimoramento de novas aplicações de software, visando solucionar desafios específicos relacionados à organização e armazenamento de materiais.
Como anteriormente mencionado, a indústria logística é um componente vital da economia global, sendo responsável pela gestão eficiente e eficaz do fluxo de bens e serviços. Em Portugal, os setores de transporte terrestre, marítimo e ferroviário são elementos fundamentais deste sistema intricado. Nos últimos anos, a automação de processos tem-se destacado como um fator crucial para aumentar a competitividade neste setor.
Portugal tem realizado progressos notáveis na automação de processos logísticos, contudo, ainda há um percurso a ser feito para atingir os patamares de automação presentes nos países líderes da Europa. Esta trajetória de desenvolvimento é essencial para fortalecer a posição de Portugal no panorama logístico internacional.
Atualmente, Portugal ocupa uma posição intermédia no espectro da automação logística, em comparação com outros países europeus. Países como Alemanha, Holanda e Suécia, líderes europeus neste setor, já exibem níveis mais avançados de automação nos seus processos logísticos. Em contrapartida, Portugal apresenta um vasto potencial para aprimorar, o que poderia significativamente aumentar a sua competitividade no mercado global. Este contexto representa uma oportunidade valiosa para as empresas portuguesas investirem em automação de processos e obterem uma vantagem competitiva.
O investimento em automação dos processos logísticos é vital para que as empresas portuguesas possam atender às exigências do mercado de maneira mais eficiente e precisa. Tal investimento promove a eficiência operacional, a redução de custos e a melhoria na qualidade dos serviços oferecidos. Assim, é fundamental que as empresas em Portugal encarem a automação como um investimento estratégico crucial para o futuro da logística no país.
A automação dos processos logísticos é um elemento diretamente ligado à capacidade de uma empresa em fornecer respostas ágeis e precisas às dinâmicas do mercado. As empresas que investem na automação podem desfrutar de uma série de vantagens significativas, incluindo:
Eficiência Operacional: Execução de tarefas complexas de forma mais rápida e eficiente, reduzindo os tempos de processamento e minimizando erros humanos.
Redução de Custos: Diminuição significativa dos custos operacionais, uma vez que permite a realização de tarefas de forma mais eficiente e com menos recursos.
Melhoria na Qualidade do Serviço: Qualidade do serviço ao cliente, permitindo uma maior precisão na execução das tarefas e uma resposta mais rápida às solicitações dos clientes.

Em síntese, a automação dos processos logísticos representa uma tendência global que exerce um impacto considerável na eficiência e competitividade empresarial. Em Portugal, embora se tenham verificado progressos notáveis, permanece um amplo espaço para o desenvolvimento e expansão neste setor. Com investimentos adequados em tecnologia e capacitação profissional, Portugal detém o potencial para se estabelecer como um importante interveniente no panorama logístico europeu. Indubitavelmente, a automação dos processos constitui um investimento estratégico essencial para o futuro da intralogística nas empresas portuguesas, pavimentando o caminho para avanços significativos em eficiência operacional e competitividade no mercado.

Miguel Lachat

Responsável da Böwe Intralogistics em Portugal

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