Os DR’s deixaram de saber gerir Pessoas?

A sociedade sofreu, nos últimos anos, pressões enormes para a sua transformação, a um ritmo sem precedentes. A tecnologia invadiu as vidas pessoais e profissionais, transformando-as e misturando-as de forma irreversível. A estrutura demográfica nunca antes configurou uma situação como a atual, cruzando cinco gerações no local de trabalho e tornando a motivação, comunicação, liderança, gestão de carreira, trabalho em equipa ou a identificação e retenção de profissionais com valor, num verdeiro desafio. Cumulativamente temos o ritmo a que tudo isto foi ocorrendo, em linha com a lei de Moore, a qual nos diz que o poder computacional duplica a cada dois anos, daí advindo grande parte dos impactos a que nos referimos.
Em 2016, 92% dos mais de 7000 líderes consultados num estudo da Deloite, afirmaram que é prioritário redesenhar os modelos organizacionais que entretanto se tornaram obsoletos.

De facto esta gestão é hoje mais complexa do que nunca e é, simultaneamente, algo que cada vez mais somos chamados a fazer, mesmo não pertencendo ao universo dos RH. É neste enquadramento que nasce o Quadro Estratégico para a Gestão de Pessoas em Portugal, um projeto do Fórum Pessoas e Organizações (www.pessoas2020.pt), que visa responder a estes drives de mudança, com a noção do desafio que colocam à gestão de pessoas.

Estruturado em torno das 10 Prioridades para a Gestão de Pessoas até 2020 e partindo de um estudo de âmbito nacional e transversal, importa referir que é um produto da Sociedade Portuguesa, com toda a sua heterogeneidade, e não algo emanado exclusivamente por profissionais da área de RH.

Os resultados produzidos são surpreendentes. Deixando de lado temas “quentes” e na ordem do dia para os “Nativos dos RH” como a digitalização, as métricas de RH, a igualdade de género ou o engagement, a amostra afirma como prioritários aspetos sociais e comportamentais como a motivação, a coesão, o trabalho em equipa e a qualidade das lideranças. Também com grande destaque, aparecem questões relacionadas com a capacidade das organizações identificarem, reterem e desenvolverem os talentosos, possibilitando-lhes crescimento.

Finalizo com um sinal de alerta. O QEGP-PT clarifica o profundo desalinhamento entre as questões que a sociedade civil considera importantes na gestão de pessoas e as prioridades que os RH’s tanto veiculam.

Não tenhamos ilusões, as Pessoas são verdadeiramente a alma do negócio. Gerir pessoas em contexto organizacional, exige uma relação verdadeiramente humanizada, sob pena não obtermos os resultados que desejamos e falharmos como Povo, apesar do enorme talento e potencial e notoriedade que detemos aqui e além fronteiras.

Filipe Ferreira

Coordenador do Quadro Estratégico para a Gestão de Pessoas em Portugal, um projeto do Fórum Pessoas e Organizações – Pessoas@2020

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