O impacto do Agentic Commerce no comércio digital será significativo na próxima década, estimando-se que até 2030 cerca de 30% do valor global das transações de e-commerce seja influenciado por Agentic AI, refletindo uma mudança estrutural na forma como os consumidores descobrem, avaliam e adquirem produtos, com agentes inteligentes a assumirem um papel cada vez mais central ao longo de toda a jornada de compra. As conclusões são do relatório estratégico sobre Agentic Commerce da responsabilidade da Getnet, Fintech de soluções de pagamento do Grupo Santander, em parceria com a Deloitte.
Atualmente, os consumidores navegam entre múltiplas plataformas durante o momento de compra – motores de busca, redes sociais e marketplaces – criando fricção e complexidade. No modelo Agentic, essa experiência será centralizada num único agente inteligente que gere todo o processo, desde a descoberta até ao pagamento.
Este novo paradigma posiciona os chamados shopping agents como intermediários ativos: capazes de analisar dados em tempo real, antecipar necessidades do consumidor e otimizar decisões de compra e pagamento. Segundo o estudo da Getnet, trata-se de um ponto de inflexão em que a inteligência artificial deixa de apenas assistir o consumidor e passa a orquestrar todo o processo de consumo.
Neste contexto, os pagamentos assumem um papel central na nova economia digital, evoluindo de uma função apenas transacional, para se tornarem uma camada crítica de controlo, confiança e execução ao longo da jornada de compra.
Um novo cenário onde, consequentemente, como o estudo realça, emergem novos desafios associados à crescente adoção de transações human-not-present, onde estes agentes atuam autonomamente. Entre os principais entraves identificados estão a validação da identidade dos agentes (know your agent), verificação da intenção do utilizador e deteção de fraude em ambientes mais sofisticados.
Ainda assim, o estudo reforça que o Agentic Commerce representa já uma oportunidade de mercado estimada entre 2,5 e 4,5 biliões de euros até 2030, podendo influenciar até 30% do valor global de transações de e-commerce.
Os dados do relatório, com base em análise da Deloitte, indicam uma elevada predisposição para a adoção deste modelo, com 70% dos profissionais do setor de pagamentos a demonstrar interesse em explorar aplicações de Agentic AI em pelo menos um caso de uso, enquanto 50% das empresas consideram trabalhar com agentes autónomos como forma de melhorar a eficiência operacional e a personalização. Do lado dos consumidores, 46% valorizam a utilização destes agentes para encontrar os melhores preços e ofertas em tempo real, 37% apontam a redução de fraude como um dos principais benefícios e 33% demonstram interesse em automatizar a gestão de subscrições e programas de fidelização.
Além disso, 51% dos consumidores consideram que as marcas ainda não utilizam os seus dados de forma realmente benéfica, reforçando a oportunidade para soluções mais personalizadas.
“Mas há um fator crítico de diferenciação neste novo contexto: a confiança, num ambiente em que as decisões de consumo são cada vez mais automatizadas, a confiança assume-se como o principal ativo competitivo”, afirma Frederico Teles Gomes, Diretor de Soluções Transacionais da Getnet em Portugal. “Isto exige a capacidade de garantir segurança e prevenção de fraude em tempo real, suportada por mecanismos de tokenização e autenticação avançada, assegurando simultaneamente a interoperabilidade entre plataformas e mercados, bem como níveis elevados de transparência e controlo sobre transações realizadas de forma autónoma”, reforça.






