Obras para a modernização dos acessos aos terminais portuários do Porto de Setúbal arrancaram

Foi assinado o Auto de Consignação da Empreitada de Modernização da Linha do Sul – Porto de Setúbal – Praias do Sado, uma obra que irá permitir melhorar a ligação ferroviária aos terminais do Porto de Setúbal, aumentar significativamente a capacidade operacional e reforçar a eficiência do transporte ferroviário de mercadorias no Corredor Internacional Sul, com impacto direto na competitividade das empresas da região e na dinâmica económica do território.

A cerimónia realizou-se no Terminal Volkswagen AutoEuropa do Porto de Setúbal, na presença do Ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz.

O projeto representa um investimento global de cerca de 40 milhões de euros, incluindo empreitada, materiais ferroviários, sinalização, telecomunicações, projeto e fiscalização. A obra agora iniciada foi adjudicada ao consórcio ASCH / Cimontubo, pelo valor contratual de 16,7 milhões de euros e com um prazo de execução de 420 dias, sendo a fiscalização assegurada pela Rioboco.

Desenvolvida ao abrigo de um protocolo entre a Infraestruturas de Portugal (IP) e a Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra (APSS), a intervenção estabelece que a IP assume a responsabilidade de dono de obra, executando os trabalhos dentro e fora do perímetro portuário, cabendo à APSS os encargos relativos às intervenções realizadas em domínio sob sua jurisdição.

A obra incide sobre o troço ferroviário entre o Porto de Setúbal e Praias do Sado, um segmento determinante na articulação entre o porto e a rede ferroviária nacional e onde se têm concentrado constrangimentos operacionais ao longo dos anos. A intervenção contempla a eletrificação das linhas e dos feixes de receção e expedição que servem os terminais Sadoport, Tersado, Somincor e Ro-Ro, a construção de um novo feixe ferroviário na zona da Cachofarra para receção e expedição de comboios, a supressão da passagem de nível existente e a construção de uma passagem superior rodoviária, bem como a melhoria das condições de exploração, segurança e fiabilidade operacional, assegurando a segregação entre circulação ferroviária principal e operações portuárias.

Com esta modernização será possível aumentar substancialmente a capacidade de circulação ferroviária, generalizar a utilização da tração elétrica nos acessos aos terminais e reduzir tempos de manobra e custos operacionais. Atualmente, a ferrovia representa cerca de 27% do volume de mercadorias movimentadas pelo Porto de Setúbal na ligação ao hinterland, posicionando-o como o segundo porto nacional em número de comboios de mercadorias. A previsão aponta para cerca de 2.900 comboios por ano neste eixo até 2030, criando condições para que mais carga seja transferida da estrada para a ferrovia.

Na sua intervenção, o Ministro das Infraestruturas e Habitação afirmou: «Queremos colocar ritmo nesta transformação. Não podemos falhar prazos». Miguel Pinto Luz acrescentou que «capacitar o Porto de Setúbal com mais ferrovia é dar competitividade à região, às empresas e ao país», sublinhando a importância de uma visão integrada entre portos e rede ferroviária nacional.

O Presidente da APSS – Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra, Vítor Caldeirinha, destacou o significado estratégico da intervenção para o futuro do porto, afirmando que «este investimento é determinante para reforçar a capacidade ferroviária do Porto de Setúbal e eliminar constrangimentos que durante anos limitaram o seu potencial». Vítor Caldeirinha referiu ainda que esta obra representa um reforço concreto das condições de competitividade das empresas instaladas na região, criando melhores condições para o crescimento da atividade económica e para a manutenção e criação de emprego qualificado.

Do ponto de vista económico e ambiental, o projeto apresenta uma taxa interna de rentabilidade económica de 19% e permitirá evitar a emissão de aproximadamente 200 mil toneladas de CO₂ equivalente. A transferência progressiva de mercadorias da rodovia para a ferrovia traduzir-se-á na redução de custos logísticos para as empresas, menor tráfego rodoviário na região, diminuição de emissões e melhoria das condições de mobilidade no território envolvente.

 

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